sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Ken Follet

Além de Literatura, uma outra paixão minha é a História. De qualquer tipo: brasileira, antiga, períodos de paz, de guerra...enfim, qualquer época. Acho algo imprescindível para entendermos o mundo, quem somos, de onde viemos e para onde vamos. 
E quando a Literatura se une à História, o que acontece? Livros extraordinários, requintados, que nos proporcionam uma incrível viagem no tempo! Principalmente quando a História é usada como pano de fundo, é quase um personagem do livro. É o que acontece em O Nome da Rosa e Cemitério de Praga - de Humberto Eco, Crime e Castigo - de Dostoiévski e tantos outros.
                  Ken Follet depois do excelente Os Pilares da Terra, que conta a história da construção de uma catedral na Inglaterra da Idade Média, nos trás outro grande trabalho, uma trilogia, que se passa ao logo de algumas décadas e conta a saga de cinco famílias, de cinco países: uma inglesa, uma galesa, uma russa, uma alemã e outra americana. Ao longo da trama, que começa no início do século XX, a história e o destino dessas famílias se entrelaçam tendo como cenário vários acontecimentos históricos como o assassinato de Francisco Ferdinando, e consequentemente a I Grande Guerra, a Revolução Russa, a luta dos trabalhadores contra a exploração da aristocracia e o movimento sufragista na Inglaterra.
A trama entrelaça as vidas de personagens fictícios e reais, como o rei Jorge V, o Kaiser Guilherme, o presidente Woodrow Wilson, Winston Churchill e os revolucionários Lênin e Trótski.
O segundo volume da trilogia, Inverno do Mundo, retoma a história das famílias, agora já na segunda geração, no período entre guerras, a ascenção dos regimes totalitários, e seus personagens como Lênin e Stalin, Mussolini e Hitler.
O terceiro e ultimo livro da saga, sera lançado em 2014 e terá como pano de fundo a Guerra Fria.
No link abaixo o próprio autor, Ken Follet, fala sobre Queda de Gigantes.
Entrevista Ken Follet


segunda-feira, 29 de outubro de 2012



Hoje, dia do livro, vamos celebrar a leitura começando com as postagens de hoje, com esse belíssimo poema de Luis Fernando Veríssimo. Um deleite...

Ler...
Ler é o melhor remédio.
Leia jornal...

Leia outdoor...
Leia letreiros da estação do trem...
Leia os preços do supermercado...
Leia alguém!
Ler é a maior comédia!
Leia etiqueta jeans...
Leia histórias em quadrinhos...
Leia a continha do bar...
Leia a bula do remédio...
Leia a página do ano passado perdida no canto da pia enrolando chuchus...
Leia a vida!
Leia os olhos, leia as mãos.
Os lábios e os desejos das pessoas...
Leia a interação que ocorre ou não entre física, geografia, informática,
trabalho, miséria e chateação...
Leia as impossibilidades...
Leia ainda mais as esperanças...
Leia o que lhe der na telha...
...mas leia, e as idéias virão!

domingo, 23 de setembro de 2012

Frank O'Hara

O papel do leitor é também o de pesquisador. 
Ficar atento às coisas novas, buscar referências, seja por meio dos amigos - leitores, sites, blogs.
Ontem tive a felicidade de me deparar com o trabalho de um escritor americano que eu não conhecia. Frank O'Hara.
Frank O'Hara nasceu em Baltimore em 1929, mas é conhecido por seu trabalho que tem como pano de fundo a cidade de Nova York. Teve influência de pintores, como Jackson Pollock, em sua poesia dadaísta publicada no início da década de 50. E junto com outros poetas como James Schuyler, Barbara Guest e Kenneth Koch, fez parte do grupo conhecido como Escola de Nova Iorque.
Abaixo um de seus poemas mais marcantes "Uma Coca-Cola com você". 


    Uma Coca-cola com Você

    é ainda melhor que uma viagem a San Sebastian, Irun,Hendaye, Biarritz, Bayonne 
    
ou que ficar enjoado na Travessera de Gracia em Barcelona
    
em parte porque nessa camisa laranja 
    você parece um São Sebastião melhor e mais feliz
    
em parte porque eu gosto tanto de você, 
    em parte porque você gosta tanto de iogurte 
    
em parte por causa das tulipas laranja fluorescente 
    contra a casca branca das árvores 

    em parte pelo segredo que nos vem ao sorriso
    perto de gente e de estatuária 
é difícil quando estou com você acreditar que existe alguma coisa tão parada 
tão solene tão desagradável e definitiva como estatuária 
    quando bem na frente delas 
na luz quente de Nova York 
    às quatro da tarde nós estamos indo e vindo 
de um lado para o outro 
    como a árvore respirando pelos olhos de seus nós
 
    e a exposição de retratos parece não ter nenhum rosto, só tinta 
de repente você se surpreende que alguém tenha se dado ao trabalho de pintá-los 
    
olho 
pra você e prefiro de longe olhar para você do que para todos os retratos do mundo 
    
exceto talvez às vezes o Cavaleiro Polonês 
    que de qualquer maneira está no Frick 
    
aonde graças a Deus você nunca foi de modo que eu posso ir junto com você a primeira vez 

    e isso de você se mover tão bonito 
    mais ou menos dá conta do Futurismo 

    assim como em casa nunca penso no Nu Descendo a Escada ou 
num ensaio em algum desenho de Leonardo ou Michelangelo que costumava me deslumbrar 
    
e o que adianta aos Impressionistas tanta pesquisa 
quando eles nunca encontraram a pessoa certa para ficar perto de uma árvore 
    quando o sol baixava 

    ou por sinal Marino Marini que não escolheu o cavaleiro tão bem 
quanto o cavalo  
    acho que eles todos deixaram de ter uma experiência maravilhosa 

    que eu não vou desperdiçar por isso estou te contando


sexta-feira, 7 de setembro de 2012



Quando minha avó estudava, lá nos idos de 1940, todos os alunos deveriam saber de cor todos os hinos brasileiros e de seus respectivos estados, e me ensinou alguns também que com o tempo eu esqueci. Hasteavam a bandeira uma vez na semana e sabiam o que era comemorado em datas como 7 de setembro e 15 de novembro. Hoje em dia muitos não sabem, são apenas feriados, dias de descanso. Abaixo o Hino Da Independência, o mais bonito, na minha opinião.


Já podeis, da Pátria filhos,
Ver contente a mãe gentil;
Já raiou a liberdade
No horizonte do Brasil.

Brava gente brasileira!
Longe vá... temor servil:
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.

Os grilhões que nos forjava
Da perfídia astuto ardil...
Houve mão mais poderosa:
Zombou deles o Brasil.

Brava gente brasileira!
Longe vá... temor servil:
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.

Não temais ímpias falanges,
Que apresentam face hostil;
Vossos peitos, vossos braços
São muralhas do Brasil.

Brava gente brasileira!
Longe vá... temor servil:
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.

Parabéns, ó brasileiro,
Já, com garbo varonil,
Do universo entre as nações
Resplandece a do Brasil.

Brava gente brasileira!
Longe vá... temor servil:
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Hoje vamos de música.
Estava lendo  na Superinteressante algumas cartas testamento e ví essa de Beethoven, que resolvi dividir com vocês.
Gênio até o fim!


“Ó homens que me tendes em conta de rancoroso, insociável e misantrôpo, como vos enganais. Não conheceis as secretas razões que me forçam a parecer deste modo. Meu coração e meu ânimo sentiam-se desde a infância inclinados para o terno sentimento de carinho e sempre estive disposto a realizar generosas ações; porém considerai que, de seis anos a esta parte, vivo sujeito a triste enfermidade, agravada pela ignorância dos médicos. Iludido constantemente, na esperança de uma melhora, fui forçado a enfrentar a realidade da rebeldia desse mal, cuja cura, se não for de todo impossível, durará anos talvez! Nascido com um temperamento vivo e ardente, sensível mesmo às diversões da sociedade, vi-me obrigado a isolar-me em uma vida solitária. Por vezes, quis colocar-me acima de tudo, mas fui então duramente repelido, ao renovar a triste experiência da minha surdez! Como confessar esse defeito de um sentido que devia ser, em mim, mais perfeito que nos outros, de um sentido que, em tempos atrás, foi tõa perfeito como poucos homens dedicados à mesma arte que eu possuíam! Não me era contudo possível dizer aos homens: ‘Falai mais alto, gritai, pois eu estou surdo’. Perdoai-me se me vêdes afastar-me de vós! Minha desgraça é duplamente penosa, pois além do mais faz com que eu seja mal julgado.

Para mim, já não há encanto na reunião dos homens, nem nas palestras elevadas, nem nos desabafos íntimos. Só a mais estrita necessidade me arrasta à sociedade. Devo viver como um exilado. Se me acerco de um grupo, sinto-me preso de uma pungente angústia, pelo receio que descubram meu triste estado. E assim vivi este meio ano em que passei no campo. Mas que humilhação quando ao meu lado alguém percebia o som longínquo de uma flauta e eu nada ouvia! Ou escutava o canto de um pastor e eu nada escutava! Esses incidentes levaram-me quase ao desespero e pouco faltou para que, por minhas próprias mãos, eu pusesse fim à minha existência. Só a arte me amparou! Pareceu-me impossível deixar o mundo antes de haver produzido tudo o que eu sentia me haver sido confiado, e assim prolonguei esta vida infeliz. Paciência é só o que aspiro até que as parcas inclementes cortem o fio de minha triste vida. Melhorarei, talvez, e talvez não! Mas terei coragem. Na minha idade, já obrigado a filosofar, não é fácil, e mais penoso ainda se torna para o artista. Meu Deus, sobre mim deita teu olhar! Ó homens! Se vos cair isto um dia debaixo dos olhos, vereis que me julgaste mal! O infeliz se consola quando encontra uma desgraça igual à sua. Tudo fiz para merecer um lugar entre os artistas e entre os homens de bem.
Peço-vos, meus irmãos (Karl e Johann) assim que eu fechar os olhos, se o professor Schimith ainda for vivo, fazer-lhe em meu nome o pedido de descrever minha moléstia e juntai a isto que aqui escrevo para que o mundo, depois de minha morte, se reconcilie comigo. Declaro-vos ambos herdeiros de minha pequena fortuna. Reparti-a honestamente e ajudai-vos um ao outro. O que contra mim fizestes, há muito, bem sabeis, já vos perdoei. A ti, Karl, agradeço as provas que me de este ultimamente. Meu desejo é que seja a tua vida menos dura que a minha. Recomendai a vossos filhos a virtude. Só ela poderá dar a felicidade, não o dinheiro, digo-vos por experiência própria. Só a virtude me levantou de minha miséria. Só a ela e à minha arte devo não tere terminado em suicídio os meus pobres dias. Adeus e conservai-me vossa amizade. Minha gratidão a todos os meus amigos. Sentir-me-ei feliz debaixo da terra se ainda vos puder valer. Recebo com felicidade a morte. Se era vier antes que realize tudo o que me concede minha capacidade artística, apesar do meu destino, virá cedo demais e eu a desejaria mais tarde. Entretanto, sentir-me-ei contente pois ela me libertará de um tormento sem fim. Venha quando quiser, e eu corajosamente a enfrentarei. Adeus e não vos esqueçais inteiramente de mim na eternidade. Bem o mereço de vós, pois muitas vezes, em vida, preocupei-me convosco, procurando dar-vos a felicidade. Sêde felizes, Helligenstadt, 6 de outubro de 1812”