sábado, 12 de maio de 2012

Comentário ao post O Livro de Eli



Em "O Nome da Rosa" Umberto Eco conta a história de um livro "maldito" que ao mesmo tempo que ninguém ousava destruir, era motivo da obsessão de um clérigo em impedir sua leitura e consequentemente a divulgação das suas idéias tidas como blasfemas e revolucionárias.


O Nome da Rosa é um livro que trata do poder do próprio livro. A questão é que poucas pessoas entendem a quantidade de poder que um simples livro pode conter. Hitler sabia disso, não só porque apôs suas idéias loucas e megalomaníacas em "Mein Kampf", mas também porque ordenou a censura em vários tipos de publicações e o ritual de queimar livros não interessantes ao regime em praça pública, e na história, ele foi apenas um dos muitos que fizeram a mesma coisa.

Se um dia, no pós apocalipse, os livros escassearem, a imprensa será reinventada e eles voltarão a projetar poder porque livros encerram e propagam idéias, levam o pensamento de um para muitos.

Os movimentos por liberdade e direitos são parte da própria natureza da raça humana. Quando não havia livros, os dogmas e os objetivos eram cravados em pedra para que pessoas que por elas passassem assimilassem aquilo. Com os livros artesanais, esse movimento acelerou. Com a imprensa, esse movimento se multiplicou e ficou cada vez mais rápido. Com a internet (a boa internet) praticamente estão se extinguindo as ditaduras totais, estão se quebrando os tabus históricos contra negros, judeus, árabes e todas as etnias que sempre foram discriminadas, estamos vendo a inclusão no mundo de homossexuais e a justa igualdade de direitos e obrigações às mulheres. Mais que isso, da-se à eles o direito à sua opção ou condição sexual plena e à uma vida sem discriminações, inclusive nas leis civis. Tudo isso é resultado da informação e, em última análise, da existência e da evolução do livro.

Então o filme (que não assisti, mas agora vou assistir) simplesmente demonstra: ler é poder, determinar o que as pessoas lêem é mais poder ainda!

*por Fábio Mayer

quarta-feira, 9 de maio de 2012

O Livro de Eli




“No meu tempo as pessoas tinham mais do que precisavam, elas desperdiçavam coisas pelas quais vocês matariam hoje”
Esse post nāo é sobre nenhum livro, nem leitores ou estudiosos.
Abrirei um precedente e falarei sobre um filme. 
Um filme que ví esse final de semana e me impressionou muito. A pessoa que me indicou já vinha falando dele há meses e eu estava resistindo um pouco à idéia de assistí-lo. Mas nesse fim de semana nāo tive escapatória e o assistí.
O filme se chama O Livro de Eli, e tem como protagonista o competente Denzel Washington. Até aí tudo bem, nada de mais.
"Crer é ter esperanças"
No início do filme parece que estamos diante daqueles filmes de açāo sobre o fim do mundo, tema que está bem em voga no momento. Brigas, violência, visual  ‘pós catástrofe’, um blockbuster bem ao gosto Americano. Com o passar dos minutos eu tive vontade de abortar a missāo de assistir o tal filme, mas persisti. E sugiro a você, que está considerando a idéia de vê-lo, de fazer o mesmo.
           
Vamos à história.
Estamos numa época futura, há cerca de trinta anos após a explosāo de uma bomba atômica que dizimou a raça humana, poluiu a água e esterilizou a terra.
Nāo há comida, plantas e a água vale mais que petróleo. Coisas que sāo simples pra nós como gelo, eletricidade, comida enlatada e produtos de higiene, sāo artigos de luxo e moeda de troca por ítens mais “importantes”.   
"A verdade nos libertará"
            Porém, em um pequeno acampamento de sobreviventes, um líder inescrupuloso – o mundo acabou, mas eles ainda existem – envia seus “capangas” para saquear outras cidades em busca de outro item valioso e extremamente escasso: LIVROS!
  Eis que a história me conquista!
            Como todo fim de mundo que se preze, houve uma guerra antecedendo a catástrofe. Com a guerra, líderes. Com esses líderes, idéias absurdas, como queimar livros.
(Tenho certeza que já ví isso antes, fora da ficção, mas, enfim…).
            Poucos sabem ler nesse mundo pós apocalítico. Os poucos que sabem aprenderam antes da explosão da bomba e não têm como passar o conhecimento adiante, pois não há livros para serem usados. Um triste círculo vicioso.
"Religião é poder"
            Eis que surge Eli (Denzel Washington). Um andarilho, que vaga sem rumo, desde a explosão, com a missão de proteger e levar para um lugar seguro um tesouro: um livro. Mas não qualquer livro; “O” livro, o livro mais lido do mundo, o primeiro livro impresso por Gutemberg: A Bíblia Sagrada!
            O filme não é religioso, de forma alguma. Trata-se da missão de um homem e tudo o que ele é capaz de fazer para cumprí-la e para manter seu livro (O livro de Eli), longe de mãos erradas. Trata-se de defender o conhecimento. Da Gênese. Do recomeço.

            O chefe do povoado, uma espécie de líder político, está atrás da Bíblia há anos. Ele a vê como algo necessário e poderoso. Espera “adestrar” e subjugar seus protegidos com suas palavras e ensinamentos,  afinal ele conhece seu poder de antes do início do fim do mundo. Como suas palavras podem arrebatar multidões, mesmo (e principalmente) se usada da forma errada. Afinal, todo livro é passível de interpretações, e até a Bíblia pode ser mal interpretada. Mal lida.
Qualquer semelhança com a realidade, não é mera coincidência. Não mesmo!
Quantos “líderes religiosos” mal intencionados fazem isso todos os dias? Em todos os lugares, nos grandes e nos pequenos templos, na TV e no radio?
            A intenção do filme é justamente essa; causar uma reflexão sobre valores. Os valores e a importância que damos às coisas e às pessoas.

A super valorizaçāo do supérfluo e desvalorizaçāo das coisas simples e realmente importantes. Mostra como a história é cíclica e passível de repetiçāo, principalmente dos erros. Nós ainda insistimos nos mesmos erros. Os mesmos líderes. As mesma guerras. Os mesmos bodes-expiatórios.

            E para o recomeço da ordem da nova realidade mundial, esses sobreviventes precisam das mesmas coisas que a história nos mostrou.
Os verdadeiros templos.
Os verdadeiros líderes.
O conhecimento.
Um “círculo vicioso” positivo. As tábuas sumérias, os papiros, o papel.
A Biblioteca de Alexandria, do Congresso, a pública.
A Bíblia.
O Livro de Eli.
O meu livro.
O seu livro.
“Esqueci o principio mais importante que o livro me ensinou, que é deixar as outras pessoas alegres.” 




O LIVRO DE ELI  -  O FILME


Eli (Denzel Washington) é um guerreiro solitário que sobreviveu a um não muito distante futuro pós-apocalíptico. Sua missão é atravessar os EUA para conseguir passar adiante conhecimentos que podem ser a chave para a redenção do planeta, escritos em um misterioso livro.

Ficha Técnica

Diretor: Albert Hughes, Allen Hughes

Elenco: Denzel Washington, Gary Oldman, Jennifer Beals, Mila Kunis, Ray Stevenson, Lora Martinez, Luis Bordonada, Tom Waits, Frances de la Tour
Duração: 118 min.
Ano: 2010
País: EUA
Gênero: Suspense
Cor: Colorido
Distribuidora: Sony Pictures
Classificação: 16 anos





domingo, 22 de abril de 2012

Feliz Aniversário Brasil!





Você sabe quem está fazendo aniversário hoje?????
O Brasil...ora bolas!!!!
Garanto que pouquíssima gente lembrou, o que é uma pena!
Nosso grandioso país pode ter desigualdade social, corrupçāo, péssimos políticos - que sāo escolha nossa, diga-se de passagem, mas ainda assim é o nosso grandioso país.
Acho o fim os brasileiros que falam mal, seja sem conhecer os outros países, ou pior ainda, aqueles que conhecem e mesmo assim falam mal! Esses, nāo entenderam nada!
Claro que o "primeiro mundo" é diferente, mas para quem nasceu lá.
Claro que brasileiros que imigram ganham muita grana, porque se sujeitam a qualquer trabalho lá, aqui nāo. 
Eu acho que o principal problema do Brasil é o povo, ou melhor, a maneira de pensar do brasileiro, que ainda se acha inferior, "colônia".
O Brasil tem "síndrome de colônia". Primeiro de Portugal, depois da Inglaterra, da França e agora dos EUA.
O Brasil é como aquele jovem que deu errado na vida por causa da má criaçāo, das circunstâncias da vida.
Tivemos um começo ruim, comparado à outras super potências, ditas de “primeiro mundo”, (nāo gosto dessa denominaçāo).
Para os primeiros portugueses que vieram para cá logo após o descobrimento, ser mandado para o Brasil era uma forma de castigo. Eles eram os “Náufragos, Traficantes e Degredados“, história contada em livro de mesmo nome do historiador Eduardo Bueno.
Até a família real portuguesa veio pra cá fugida!
Porém, para muitos europeus, os imigrantes, o Brasil era um tipo de terra prometida, o país do futuro! E vieram as levas para cá,e ajudaram a formar o país que temos hoje, com tantas nuances culturais, físicas e históricas.
A Europa e os EUA hoje estāo mal economicamente, e outra leva desses imigrantes estāo começando a “re-imigrar”. O Brasil é o país do futuro, e esse futuro é agora!
Temos que ter orgulho de nosso país, rico em plantas e minerais que só existem aqui, recursos hídricos, o maior do planeta e com certeza o povo com mais “jogo de cintura” do mundo!
Por isso é importante que nos informe-mos. Ler sobre a história do país, aprender com os erros, para que nāo se repitam.


Separei algumas opções:

Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil
Conta a história do país entre 1500 e 1531 

Clássico da antropologia brasileira



Como um homem sábio, uma princesa triste e um escocês louco por dinheiro ajudaram D. Pedro a criar o Brasil, um país que tinha tudo para dar errado



Desconstruindo mitos como Tiradentes, Zumbi e Prestes



terça-feira, 10 de abril de 2012

Abril: mês do livro


Abril é um mês marcado por datas especiais para nós leitores. Dia 02 é comemorado o Dia do Internacional do Livro Infantil e do Bicentenário de nascimento de Hans Christian Andersen. No dia 18 é comemor a-se o Dia do Livro Infantil, no Brasil, em ocasiāo do nascimento do grande Monteiro Lobato. E para completar, 23 de Abril é o Dia Mundial do Livro e do Direito Autoral.
O que faz de Abril o mês do livro!

tábua suméria
Mas, o que faz desse "objeto" algo tāo fascinante? 
Coloco propositalmente a palavra objeto entre aspas, pois, confesso que foi difícil pra mim chamar esse detentor de conhecimentos e mistérios de coisa, algo morto e inanimado. Quando na verdade é um cofre, que guarda tesouros.
papiro egípcio
O livro, desde seu surgimento, foi tratado como algo especial, uma jóia destinada a poucos, tanto pelo seu preço quanto pelo número reduzido de pessoas capazes de decifrar seus códigos. Numa época em que poucos eram alfabetizados.

O artefato livro, tem cerca de seis mil anos de história, e nesse tempo passou por várias transformações em forma e materiais usados, desde as tábuas de argila dos sumérios, à nossa era do livro digital. Passando por folhas de palmeiras, cascas de árvore e até cânhamo.
livro medieval feito por monges
Foram os egipcios, no entanto, que desenvolveram os papiros, um avanço tecnológico na história desse nosso objeto de adoraçāo. Foi deles a Biblioteca de Alexandria.

Bíblia de Gutemberg
Acho particularmente fascinante a história do livro na Idade Media e o trabalho dos monges copistas, tāo bem retratados em O Nome da Rosa, de Umberto Eco. Uma época em que monges dedicavam suas vidas às orações e ao feitio artesanal dos livros.

Eis que no século Xlll surge Gutemberg e o mundo nāo seria mais o mesmo depois de sua invençāo: a prensa móvel.
O resto, como dizem, é história. E que história!



domingo, 8 de abril de 2012

Hoje, Domingo de Páscoa, conversando com meu irmāo sobre consumismo e educaçāo financeira, falávamos sobre o quanto as pessoas sāo vítimas de marcas, status.
E surgiu a seguinte questāo: quanto vale pagar por uma camiseta branca? R$10,00, numa loja popular? R$ 50,00, numas dessas medianas porém em voga? Ou R$200,00, naquela loja de marca internacional, que ostenta simplesmente um pequeno logotipo do lado direito?
Lembrei-me também do poema "Eu etiqueta", do grande Drummond, atemporal.


EU ETIQUETA

Em minha calça está grudado um nome
Que não é meu de batismo ou de cartório
Um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
Que jamais pus na boca, nessa vida,
Em minha camiseta, a marca de cigarro
Que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produtos
Que nunca experimentei
Mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
De alguma coisa não provada
Por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
Minha gravata e cinto e escova e pente,
Meu copo, minha xícara,
Minha toalha de banho e sabonete,
Meu isso, meu aquilo.
Desde a cabeça ao bico dos sapatos,
São mensagens,
Letras falantes,
Gritos visuais,
Ordens de uso, abuso, reincidências.
Costume, hábito, permência,
Indispensabilidade,
E fazem de mim homem-anúncio itinerante,
Escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É duro andar na moda, ainda que a moda
Seja negar minha identidade,
Trocá-la por mil, açambarcando
Todas as marcas registradas,
Todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
Eu que antes era e me sabia
Tão diverso de outros, tão mim mesmo,
Ser pensante sentinte e solitário
Com outros seres diversos e conscientes
De sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio
Ora vulgar ora bizarro.
Em língua nacional ou em qualquer língua
(Qualquer principalmente.)
E nisto me comparo, tiro glória
De minha anulação.
Não sou - vê lá - anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
Para anunciar, para vender
Em bares festas praias pérgulas piscinas,
E bem à vista exibo esta etiqueta
Global no corpo que desiste
De ser veste e sandália de uma essência
Tão viva, independente,
Que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
Meu gosto e capacidade de escolher,
Minhas idiossincrasias tão pessoais,
Tão minhas que no rosto se espelhavam
E cada gesto, cada olhar
Cada vinco da roupa
Sou gravado de forma universal,
Saio da estamparia, não de casa,
Da vitrine me tiram, recolocam,
Objeto pulsante mas objeto
Que se oferece como signo dos outros
Objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
De ser não eu, mas artigo industrial,
Peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é Coisa.
Eu sou a Coisa, coisamente.
Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 3 de abril de 2012

150 anos de Os Miseráveis

Num 3 de abril, há 150 anos, o mundo via nascer uma obra prima. Os Miseráveis, de Victor Hugo, que nāo só foi um marco do Romantismo francês, mas de toda a literatura.
A história  de Javert, Valjean, Fantine e Cossete,  tem como pano de fundo a famosa Batalha de Waterloo e foi adaptada várias vezes para o cinema - terá outra lançada em breve. 
Em 1985 estreia no teatro inglês e  bate o recorde do musical há mais tempo em cartaz. Uma montagem de tirar o fôlego, que eu tive o prazer de assistir há anos atrás.
Com certeza uma obra prima atemporal.